A utilização de serviços de cuidados de saúde, quer de âmbito preventivo, quer de âmbito curativo, tem implicações importantes para o estado de saúde da população. Os migrantes africanos são um grupo considerado particularmente vulnerável na área da saúde, e alguns dados portugueses apontam para a sua sub-representação na utilização dos serviços de saúde. O presente estudo foi efectuado numa comunidade migrante da área geográfica da Grande Lisboa, em indivíduos com idade superior a 15 anos, e teve como principais objectivos a caracterização sócio-demográfica, a identificação e compreensão dos obstáculos ao acesso e utilização dos serviços de saúde, no sentido de contribuir para uma melhor selecção de estratégias de intervenção, nomeadamente o desenvolvimento de políticas e programas de saúde adequados a estas comunidades. A metodologia utilizada foi a aplicação de inquéritos individuais e entrevistas colectivas Os resultados obtidos identificam uma população em que 35% têm menos de 15 anos, 65% mais de 15 anos e, destes, 6% acima dos 55 anos. Na população com mais de 15 anos de idade identifica-se a existência de uma escolaridade relativamente elevada e que 27% vivem em Portugal há mais de dez anos e que, desta população, 26% não têm licença de residência no país. Relativamente à utilização dos serviços de saúde, os dados indicam que a maior parte dos inquiridos já consultou, pelo menos uma vez, os serviços de saúde e que, destes, 73% consultaram o hospital e 53% o centro de saúde. Os dados mostram ainda que o número de anos vividos em Portugal e a situação de legalidade condicionam a utilização dos serviços de saúde, sendo esta utilização diferenciada para o hospital e para o centro de saúde. O estudo realça ainda a potencial influência que os factores de ordem social, cultural e étnica podem ter no condicionamento das necessidades de procura e utilização dos serviços de saúde.